JEAME 29 anos - Você também é convidado

por marli em 10/07/10

No mês de maio, o Ministério JEAME celebrou os seus 29 anos de atuação. Podemos dizer que até aqui o Senhor esteve conosco. Somos uma organização pequena, mas que nestes anos tem impactado muitas vidas de uma maneira impressionante.

Creio que um dos maiores impactos nestes anos é o que Deus tem feito na vida daqueles que servem, tanto dos líderes, missionários, voluntários, diretores e mantenedores. Esta é uma vocação do Ministério JEAME: preparar líderes servidores para a expansão do Reino de Deus. A começar por mim, não posso deixar de testemunhar o impacto que tem causado na minha vida pessoal assim como ministerial. Deus nos chama a ir buscar o perdido, e o Ministério JEAME tem ido atrás dos que estão perdidos não só espiritualmente, mas também socialmente.

Estes jovens e crianças que vivem nas ruas do centro de São Paulo são considerados irrecuperáveis e pouquíssimas pessoas têm interesse genuíno em realmente resgatar, recuperar e reintegrá-los à sociedade. De fato, quando olhamos com olhos humanos as condições dessas pessoas, não vemos qualquer sinal de esperança, principalmente os que estão envolvidos com craque. Muitas vezes, nós também somos abatidos por este sentimento, mas o amor de Deus nos constrange e, conforme damos os primeiros passos, passamos a ver tudo de uma maneira diferente,porque a esperança começa a brotar em nossos corações conforme obedecemos ao chamado.Talvez você até conheça alguém que esteja numa situação sem esperança e por isto queremos te encorajar a lutar e não desistir.

Jesus disse que o Reino dos Céus é como um rei que preparou um banquete de casamento para seu filho e que mandou seus servos anunciarem aos que tinham sido previamente convidados para que viessem ao banquete. Porém, eles não quiseram ir (Mateus 22.1-31). Aqueles convidados de honra estavam ocupados demais com seus negócios para pararem o que faziam e ir ao banquete, sendo que alguns deles abertamente ofenderam e maltrataram os mensageiros do rei. Então o rei, indignado, mandou que seus servos fossem para as esquinas e convidassem todos os que eles encontrassem. Seus servos saíram às ruas e reuniram todas as pessoas que puderam encontrar: gente ‘boa’ e gente ‘má’. Assim encheram a festa e todos celebraram.

Com qual personagem desta parábola você mais se identifica? Pensando no Reino de Deus, em qual situação você se encaixa? Será com o rei que está dando a festa e abrindo as portas para os bons e maus, mostrando com sua generosidade o amor de Deus que não faz acepção de pessoas? Será que você se identifica com o servo que sai em busca dos convidados “honrados” e importantes convidados e acaba recebendo um “não” na sua cara? Será que você é como os que estão tão ocupados com seus negócios que não têm tempo nem interesse no banquete do rei? Será que você é um daqueles ilustres que se incomodaram com a cobrança e usaram sua influência para maltratar os servos do rei? Ou será que você se identifica com o servo que sai pelas ruas convidando a todos para virem? Ou mesmo um servo que fica às portas recebendo os novos convidados com honra, conforme as instruções do rei, sem faze acepção de pessoas.

Quer fazer parte desta festa?

Talvez você seja como muitos que por fora tenha uma boa aparência, mas por dentro se sinta um pobre coitado perdido e sem esperança. O banquete que Deus preparou para seu Filho está aberto para todos os quiserem participar. Será que você é um dos que alegremente percebeu que não há nada neste mundo que o impeça de aceitar o convite do Rei, de receber as novas vestes de gala, de tomar parte de tudo que é oferecido no jantar e de experimentar as delícias da comunhão com os amados do Rei? Seja qual for a sua posição, não fique de fora e aceite o convite.

O Ministério JEAME entende que Jesus está bradando pelas esquinas, becos e mocós, chamando aquelas crianças e jovens que andam perdidos pelas ruas de São Paulo, pelas ruas de qualquer lugar, presos na Fundação CASA, presos numa situação de vícios, droga-adição e prostituição. Todos são convidados para o banquete. Quer fazer parte desta festa? Você tem coragem de ir ou então de apoiar os que vão?

Marli Marcandali

Presidente do Ministério JEAME

Eles precisam da luz de Cristo.

por Suzanne Duppong em 2/05/07

No trabalho na Cracolândia, nas ruas e buracos, encontrei muitas pessoas vivendo em meio a ratos e lixo. Todas desesperadas por encontrar paz e esperança, e precisando conhecer o amor de Deus.

POR VIRGILIO

Desde janeiro deste ano, estou perplexo com as ruas do centro de São Paulo: crianças caídas em meio às calçadas, tombadas pelo uso do crack. O sol escaldante queima seus rostos, mas elas nem se movem. Quando vai entrando a noite, o cenário fi ca ainda pior. Eu mesmo contei mais de 120 usuários de crack, na maioria adolescentes sujos e magros, em apenas algumas quadras. Já trabalho nesse região há mais de 15 anos, e esse é um cenário que eu nunca me acostumarei a ver, principalmente porque
dessas mesmas ruas, vidas já foram resgatadas e transformadas.

Luz em meio às trevas.

Em meio a tanta tristeza, tive também a experiência de muitos momentos de alegria que nos incentivam a continuar o trabalho.

Em meados de 1995, Priscila começou a freqüentar a Escola Papo de Responsa e, como muitas crianças alí, havia sido vítima de violência dentro de sua casa. Um dia ela pediu uma folha de caderno e lápis e, depois de algum tempo, entregou a folha para um dos “tios”. Era normal imaginar que ali ela tivesse desenhado fi guras, mas ela nos surpreendeu com um lindo versículo da Bíblia escrito na folha. E foi assim, durante todo o tempo em que Priscila freqüentou a escola.

Eu me emocionava diariamente com ela! Que lindo era ver que apesar de ser uma criança sem teto, sem nada, ela tinha Jesus como sua maior alegria. Até hoje lembro-me do rosto de Priscila, um rosto que começou a se encher de esperança quando ela conheceu o amor de Deus.

Incentivo para continuar

Como é bom ver um sorriso verdadeiro daqueles que são resgatados e transformados por Jesus e experimentam o amor dEle através das nossas ações!

Quando vejo os jovens caídos ali na Cracolândia, tenho uma certeza: eles precisam da luz de Cristo.

Priscila uma vez deu o seguinte depoimento para um programa de TV: “Eu gosto muito da escolinha do JEAME, porque me ensinam a Palavra de Deus. Temos comida, passeio
e brincadeiras. Eu gosto muito dos “tios” do JEAME.”

Romanos 5:20 diz: “Onde abundou o pecado, a graça de Deus aumentou muito mais ainda”, Minha oração é que nós sejamos instrumentos de graça!

Vírgílio trabalha há mais de 15 anos no ministério JEAME, atuando em lugares como a Cracolândia, em São Paulo, onde jovens e crianças ficam jogados pelas ruas, dia e noite.

Escola Papo de Responsa: Levando paz às crianças de rua

por gilbertojr em 2/05/07

Devido ao número crescente e alarmante de crianças e adolescentes em situação de risco social nas ruas centrais da capital de São Paulo, o ministério JEAME está retomando o projeto Escola Papo de Responsa, que atenderá até 30 crianças e adolescentes por dia.

Crianças e adolescentes abandonados, em risco social, não é nenhuma novidade nas grandes cidades. E o que temos constatado em mais de 20 anos de ministério, é que nunca vimos tantas crianças e adolescentes vagando pela ruas da famosa “Cracolândia”, em São Paulo. O crescimento tem sido tão alarmante, que até pessoas envolvidas com nosso ministério há muitos anos não conseguem segurar as lágrimas ao ter uma visão dessa região à noite.

Muitos programas de recuperação e apoio aos jovens e crianças que funcionavam no centro de São Paulo fecharam, deixando essas crianças sem nenhum lugar onde
possam encontrar paz e esperança. Diante disso, o JEAME volta a trabalhar nessa região através do projeto Escola Papo de Responsa.

Esse é um papo sério!

O projeto é uma escola de reabilitação onde as crianças e jovens terão a oportunidade de se capacitarem em várias áreas, visando a sua reabilitação sua reabilitação física, emocional e espiritual.

A escola funcionará como um local onde as crianças possam freqüentar vários cursos, como por exemplo, de cidadania e prevenção ao uso de drogas e doenças sexualmente transmissíveis. Além disso, elas serão encaminhadas a programas assistenciais, a médicos e a centros de reabilitação, quando necessário.

Tudo isso com o grande diferencial de ser um local onde ensinaremos com a ética cristã e poderemos estar ao lado dessas crianças, mostrando o que é amar ao próximo!

Reforma da casa em fase final

Tudo isso acontecerá num imóvel com 5 salas, refeitório, cozinha e banheiros. Estamos reformando esse local com a ajuda de parceiros e voluntários. A escola fi cará na região da “Cracolândia” - cidade do crack, em São Paulo.

Além da ajuda educacional e emocional, essas crianças receberão três refeições por dia.

A Escola Papo de Responsa atenderá até 30 alunos por dia e funcionará às segundas, quartas e sextas, das 09h00 às 16h30. Nas terças e quintas-feiras, os educadores atuarão nas ruas, encaminhando casos atendidos da semana.

O custo médio, por dia, para atendermos uma criança é de R$25,00. Esse valor é a média dos custos diários, dividido por 30 crianças, o número que queremos atender. O custo anual do projeto é de R$180.000,00.

Papo de responsa significa conversa séria na gíria das ruas. Esse projeto é uma conversa séria para você pensar e apoiar, mas muito mais séria para as crianças e adolescentes que terão um espaço onde encontrarão paz, dignidade e esperança.

A história da Escola Papo de Responsa

1993 - Início do projeto “Escola Papo de Responsa”

1994 - Em um ano, 240 garotos passaram pela escola

1995/1996 - 82 crianças e adolescentes são trabalhadas individualmente e recuperadas

1997 - O Ministério JEAME ganha a cessão de uso de um amplo espaço, localizado na região conhecida como Cracolândia, para onde é transferido o projeto

2000 - Devido à existência de muitos programas voltados para crianças de rua, implantamos o Programa “Escola Profissionalizante PREPARE”, pois este projeto respondia às necessidades dos reabilitados vindos da FEBEM.

2007 - A grande quantidade de crianças e jovens na Cracolândia e a ausência de outras entidades na região nos levaram a voltar com o projeto Escola Papo de Responsa.

Apóie o projeto Escola de Papo de Responsa

Faça uma doação de R$50,00 e patrocine a freqüência de duas crianças num dia

Custo total mensal: R$15.000,00

Objetivo: Atender 30 crianças diariamente

Local: Casa no centro de São Paulo que está sendo reformanda.

Para fazer sua doação preencha a ficha de interesse.

“O importante não é ter a liberdade, mas sim o que fazer com ela”

por Suzanne Duppong em 2/05/07

Essa foi uma das frases que mais marcou a vida de Agnaldo. E para ele essa frase tinha um sentido único, pois quando a leu num livro do Billy Graham, ele estava preso numa unidade da FEBEM.

Há uma imagem que Agnaldo guarda até hoje em sua memória. Crianças correndo sem rumo em meio a tiros vindos do confronto com policiais. E o pior é que nessa cena,
ele mesmo estava atirando.

Agnaldo nasceu numa família muito pobre e numerosa, o que não lhe trouxe muita expectativa de uma vida de oportunidades. Criado numa favela em São Paulo, ele vagava pelas ruas de terra e já conhecia, desde menino, o mundo do crime, e dentro da sua própria família.

Quando seu irmão mais velho foi morto, ele acabou se envolvendo com drogas; daí para o crime foi um pequeno passo. Começou a assaltar mansões chegando até a praticar seqüestros. Envolveu-se com tráfico de drogas, e sua vida parecia rumar para o fim de muitos jovens das ruas de São Paulo: a morte.

Agnaldo foi encaminhado para a FEBEM quatro vezes entre 1986 e 1989, e o que ele não sabia é que os muros da prisão iriam levá-lo ao encontro da liberdade verdadeira, a que encontramos na vida com Jesus Cristo.

Em sua última passagem, Agnaldo participou de uma reunião do ministério JEAME. Naquele dia, ele ouviu testemunhos de jovens como ele, condenados pela sociedade, pela lei, mas que tinham encontrado a graça e o perdão no amor de Deus. E mais, haviam deixado tudo para trás, eram novas criaturas!

Depois daquele dia, seu comportamento mudou radicalmente! Tornou- se exemplo de conduta para muitos que estavam internados ali com ele, e cada vez mais se aprofundou na Palavra de Deus.

A diferença foi tanta que ele chegou a receber o benefício de passar o Natal com sua família, mas optou por ficar ali e passar com os amigos e irmãos do ministério JEAME.

Agnaldo voltou, então, para as ruas, as mesmas ruas que antes eram palco de guerra, mas agora, ele tinha outra intenção: levar a Palavra de Deus e esperança aos que estão perdidos. Voltou a estudar e junto com o ministério JEAME influenciou e ajudou
muitos jovens a deixarem a vida do crime.

Uma das formas que Agnaldo encontrou para ajudar sua comunidade foi através do beisebol. Fundou a associação do beisebol em Pirituba em 1999, e hoje lidera a popularização desse esporte no município de São Paulo, tendo já treinado mais de 400 adolescentes. Este trabalho tem livrado muitos iniciantes nas drogas e prevenido a entrada de outros no vício e tráfico.

A associação atende mais de 60 crianças a partir de sete anos, revelando jogadores em nível de seleção brasileira. Em 2006, conseguiu levar uma de suas equipes de beisebol infantil para disputar as eliminatórias sul-americanas na Guatemala. Um momento de muita alegria para ele.

Olhando para a vida de Agnaldo, podemos ver uma grande transformação. Dos pés descalços da favela a um líder carismático e capaz. Sem dúvida, a grande mudança em sua vida, foi encontrar a liberdade em Cristo e usá-la para levar esperança e paz por onde ele passa.

“Se um homem mal parar de pecar, se guardar as minhas leis e se fizer o que é certo e bom, não morrerá: é certo que viverá”.Todos “os seus pecados serão perdoados, e ele viverá porque fez o que é certo”. Ezequiel 18:21 e 24

O caminho da paz

por Suzanne Duppong em 2/05/07

A violência já faz parte do nosso cotidiano. Bastam alguns minutos na frente da TV, lendo um jornal ou navegando pela internet, que notícias sobre assassinatos, atentados, drogas, impunidade, corrupção, etc., cheguem até nós. Eu ainda vejo, muitas vezes, cenas como essas no centro de São Paulo, do alto do prédio que abrigará um dos nossos projetos. Apesar de já serem tão comuns, não consigo me acostumar com elas. Toda nova notícia causa em mim sentimentos de indignação, angústia e até desesperança.

Nunca o mundo falou tanto em paz. No Brasil, em meio a tiroteios entre facções do tráfi co ou entre estas e os policiais, assaltos que terminam com mortes bárbaras, levantam-se passeatas e manifestações. No mundo, em meio aos atentados contra civis, genocídios e lutas em nome da religião, líderes erguem suas bandeiras pedindo tolerância.

Desejamos paz. O mundo pede paz. Mas colhemos cada vez mais violência!

Romanos 3: 15-18 diz: “Seus pés são ágeis para derramar sangue, ruína e desgraça marcam os seus caminhos, e não conhecem o caminho da paz. Aos seus olhos é inútil temer a Deus”.

Reconhecendo nossos erros

Não acredito numa mudança histórica, social e ética enquanto cada um de nós não olhar para os nossos próprios erros. É preciso deixar de colocar a culpa no outro e focar naquilo que podemos fazer, mas não fazemos.

Só quando reconhecermos nossa maldade, egoísmo e individualismo, deixaremos nossos preconceitos de lado e poderemos semear paz, amor e honestidade, através de ações ao próximo. A qualquer um.

Jesus foi punido por toda maldade, passada e atual, em lugar da humanidade. O encontro com Deus em Jesus, e não com uma religião, traz à consciência nossos erros e nos liberta da culpa. Só assim podemos espalhar amor e paz verdadeiros, sem barreiras. Nos morros, nas ruas, na sua igreja, na sua casa.

“E do céu iluminará todos os que vivem na escuridão da sombra da morte, para guiar os nossos passos no caminho da paz”. Lucas 1:79


Suzanne Duppong
Presidente do ministério JEAME, atua há 26 anos na reabilitação de crianças, adolescentes e jovens das ruas e da FEBEM.