IMG_20170311_123911052Graça e Paz do Senhor a todos.

Sou Vilma, missionária do MINISTÉRIO JEAME e uma das coordenadoras do trabalho de evangelismo da FUNDAÇÃO CASA, na cidade de São Paulo, onde atuamos em 17 unidades e um abrigo.

Costumo dizer que somente os que se dispõe a ir têm o privilégio de ver o mar se abrindo. E Deus, por sua infinita misericórdia, tem me dado esse presente.

Estamos há 35 anos atuando nas unidades da FUNDAÇÃO Durante esse tempo vivenciamos coisas lindas, como também coisas ruins. Em todas elas Deus esteve conosco, sustentando nossa vida e a vida dos que ali estavam.

Nossa missão é especificamente com crianças e adolescentes, mas Deus tem nos presenteado com a vida dos funcionários e vigilantes que, durante nossa passagem por ali, nos pedem oração, abrem o coração conosco contando de suas grandes lutas pessoais e da tensão que é trabalhar ali. Para nós, um presente.

O ano de 2016, não diferente dos outros, foi um ano de desafios dentro da FUNDAÇÃO, onde a nossa maior luta foi com a falta de obreiros. Mesmo assim o Senhor atuou com os poucos valentes que se dispuseram e assim, pela graça de Deus, concluímos mais um ano.

Em dezembro tivemos nossa já tradicional Festa de Natal nas 17 unidades em que atuamos. Levamos para os meninos pizza, coca-cola, trufa e um exemplar da Bíblia na Linguagem de Hoje.

Para nós é algo simples, mas para eles não.

Temos tido o privilégio de presenciar a alegria deles em desfrutar desse presente. Já ouvimos de muitos “crentes” o seguinte comentário: “Mas eles são bandidos e não merecem…”. E por muito tempo tivemos muitas dificuldades de levantar ofertas paraesse fim, por causa dessas indagações.

Mas fico pensando: “Quem de nós merece qualquer favor do alto?” Será mesmo que somos diferentes daqueles que se encontram encarcerados por consequência de seus erros? Será que somos tão bonzinhos que nunca faríamos o que eles fizeram?

Não estamos lá para “passar a mão “na cabeça de ninguém. Pensamos que quem fez deve pagar sim, porém, tem o direito de se arrepender e de ouvir a respeito de Jesus, que muda a história de quem se entrega para ELE.

Este ano não foi diferente, ouvimos essas mesmas questões, mas avançamos assim mesmo, pois cremos que Deus pode transformar essas vidas. Mas para isso eles precisam sentir de perto o amor; amor que não será percebido se não formos e se não agirmos.

Em uma unidade feminina, na festa de Natal, elas se deliciaram com as pizzas, o refrigerante e as trufas, mas ao saberem que iam ganhar um exemplar da BÍBLIA, ficaram tão felizes que aplaudiram, e isso me comoveu. De tudo, o que arrebatou o coração delas foi a palavra de Deus.

Na unidade do Brás, numa unidade masculina, em 2015 na festa de Natal, um adolescente não queria participar do culto e comer a pizza, alegando que sua religião era outra. Me aproximei e depois de uma boa conversa percebi que ele estava possesso de demônios, oramos e conseguimos expulsar, e aquele garoto, depois de toda essa luta, estava ali, sereno, com um rosto diferente do rosto que eu havia visto quando cheguei perto dele. E esse garoto me disse: “Senhora, nunca ninguém lutou por mim tanto assim como a senhora fez agora”. Passado algum tempo eu estava na Vila Maria e um garoto se aproximou de mim com uma Bíblia debaixo do braço e me chamou pelo nome, olhei e ele me perguntou “A senhora lembra de mim?” eu respondi que não, pois não o conhecia e ele me disse “Eu sou o Edgar senhora, aquele da unidade do Brás…”, confesso que olhei um tempo para ele e depois de um tempo que me recordei, daquele dia no qual ele foi liberto e entregou a vida para o Senhor. Não temos o costume, mas abracei aquele garoto e chorei ao vê-lo tão bem, apesar de preso; preso nas grades mas liberto na alma.

Durante todo o ano ele nos esperava no pátio, com sua Bíblia debaixo do braço, para o culto. Caminhamos juntos, oramos juntos, vi o Edgar aprender a amar o Senhor. Num desses cultos eu estava falando do sacrifício de Jesus na cruz, e do quanto ELE nos amou, a ponto de ir até a morte para nos salvar, vi o Edgar engasgar com o choro e me perguntar: “Senhora, por que Ele fez isso por mim????” e eu respondi “Porque Ele quis”, e vi as lágrimas descendo de seus olhos.

Logo ele me perguntou se eu também entrava na penitenciária feminina, porque sua mulher estava lá, presa, e ele queria muito que ela ouvisse de Jesus e de tudo o que ELE fez na cruz por ela. Oramos para que Deus levantasse homens e mulheres para ir até ela falar “desse amor que constrange”, e ele chorou, um choro de gratidão por saber que Deus estava dando a ele uma segunda chance.

Neste final de ano, no Natal de 2016, nosso irmão e amigo Edgar estava ainda na Vila Maria (Unidade de Internação), me chamou e disse “Senhora, faz um ano que eu conheci o Senhor, e para isso foi preciso que eu viesse para esse lugar”.

Pude ali contemplar algo que vemos pouco até em igrejas; uma conversão genuína. Pude ver no rosto do Edgar a gratidão e ao mesmo tempo o constrangimento de saber que o Senhor o quis mesmo que toda a sociedade o desprezasse.

E é isso, queridos irmãos, mesmo que muitos achem que “eles não merecem”, Deus dá o perdão, a cura e até um mimo em forma de pizza. E eu? Eu quero fazer o que Jesus faria, e dar o que Jesus daria por eles e para eles, pois isso é estar no centro da vontade de Deus.

Somos de alguma forma “os meninos da Fundação Casa”, pois, apesar de não merecermos nada de bom, Deus nos dá a vida eterna, o perdão dos pecados e ainda a alegria de andarmos lado a lado com ELE e sermos chamados de filhos. Isso irmãos, é o verdadeiro amor, o amor que constrange.

Que em 2017 possamos ter mais obreiros valorosos dispostos a ser o “Rosto de Deus” na vida de muitos “Edgares”.

Esperamos você para fazer parte da equipe!!!!

Para contribuir: Ministério JEAME – Banco Bradesco – Agência 102 – C/C 50900-00

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Já recebeu o nosso informativo desta semana? Se não, confira aqui (bip relatorio jan 17) e leia o relato da missionária Vilma sobre o trabalho realizado na Fundação Casa.