Testemunho de Luis Marcelo

Era por volta dos anos de 1975/76 e, por consequências desconhecidas, minha mãe me abandonou. A Rádio Patrulha foi quem me achou; um bebê abandonado num terreno baldio na Vila Mariana.

Fui levado ao Colégio Sampaio Viana e depois à FEBEM; deram-me uma idade e data de nascimento e o meu lar passou a ser a FEBEM.

Cresci em um ambiente de violência, conturbado, cheio de ódio, traumas, solidão e infeliz.

Não recebia visitas e nem presentes, era esquecido por todos, era espancado, sem carinho e sem amor. Cresci em um ambiente de infratores e me tornei um deles. Fugia da FEBEM e ia para as ruas, conheci a praça da Sé e ali fiquei por uns cinco anos.

Na rua, a lei da sobrevivência é roubar ou roubar! Por anos roubei toca fitas, carteiras e relógios. Por vezes era pego e retornava para a FEBEM. Logo, no entanto, voltava às ruas.

Dormia ao relento, andava com gangues de rua. Não sabia fazer outra coisa que não fosse roubar ou brigar.

Não era feliz; não tinha paz; vivia cheirando cola; fui achado num terreno baldio, criado na FEBEM e nas ruas de São Paulo, e eu achando que o culpado era Deus.

Havia uma frase que sempre ficava em minha mente: “Bom, não tenho pai e nem mãe, se eu morrer, não vai dar em nada; ninguém vai chorar por mim, sou só neste mundo, porque então não arriscar?”.

Gabava-me, achava que eu era o “tal”, era aceito na malandragem. Eu tinha os roubos, as gangues, as meninas, mas não era feliz.

Tudo parecia que ia bem, até que se ouviu a notícia de um ministério chamado “JEAME”.

Meus amigos foram e disseram que não era uma ameaça. Fiquei interessado, mas logo desanimei, porque era um ministério evangélico, que falava de Deus. Desse que, evidentemente, eu odiava.

Tempos depois me interessei, pois as meninas novas de rua estavam frequentando o JEAME. Fui lá por causa delas, mas antes de entrar dei voltas, e quando as vi, tomei-me de coragem e entrei.

Logo na entrada fui recebido por uma missionária alemã chamada Elke; ela me deu um grande abraço… e que abraço acolhedor do céu!!!

No JEAME, tudo era novidade para mim, era tudo organizado, limpo, os hinos tocavam o meu coração. Era servido o café da manhã e ainda tinha almoço.

Passei a frequentar a escola da rua do JEAME, mas continuava com a minha vida desgarrada.

Gostava muito do JEAME. Aqueles irmãos eram obreiros genuínos, nos amavam mesmo!

Suzy, Virgílio, Claudio, Pr. Israel, Lolla, Elke e outros… se eu viver mais 100 anos, nunca vou esquecê-los. A mensagem era sobre o amor de Deus, choravam quando chorávamos, sorriam quando sorríamos, sofriam quando sofríamos.

Eu recebia aquilo como se fôra uma bomba, a maneira pessoal do JEAME nos tratar falava mais alto que as palavras, havia algo diferente, como ansiava tê-los por perto!

Ia ao JEAME, mas participava pouco das atividades e dos hinos. Um dia o pessoal do JEAME começou a dar brindes para quem decorasse os versículos e aí despertou-me o interesse de decorar.

Mas seria humilhante ir lá na frente e falar os versículos da Bíblia, era gozação na certa.

Só então que tive uma ideia; era a de imitar o jeito da missionária Elke falar, ela falava errado a Palavra com “L”, ou seja: ao falar a palavra “salvo”, falava “sarvo”. Por exemplo: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás sarvo tu e a tua casa.”

Então passei a ir lá na frente e imitar a Elke, e ia imitando e decorando todos os versículos que tinham a palavra “sarvo”. Ganhava vários brindes e a gozação era geral; mas acontece que a Palavra ficou em mim e não voltou vazia… Aleluia!

No JEAME também conheci uma menina de rua, traficante, chamada Solange; essa menina vivia drogada 24 horas por dia. O meu coração bateu forte por ela e só ficamos por ficar. O JEAME nos acolheu no lar do Pr. Israel e Lola e nos encaminhou para a casa de recuperação.

Aceitei a Jesus numa igreja onde tive uma das experiências mais marcantes de minha vida, em Uberlândia/MG, Solange também aceitou a Jesus e foi para Curitiba. Voltamos para São Paulo e nos casamos. Deus escreve certo por linhas certas.

O Pr. Abel e sua esposa Rose nos acompanharam na igreja Nova Aliança (hoje ele faz parte da diretoria do JEAME). Já estamos casados há 12 anos e temos quatro filhos. Realmente aonde abundou o pecado, superabundou a Graça de Deus.

Luis Marcelo e SolangeAtualmente somos membros da Assembléia de Deus, trabalho em uma empresa de segurança, temos nossa casa e somos uma família.

Hoje temos paz! Deus verdadeiramente é amor; vivemos por Ele, para Ele, para a Glória dEle.

Deus é nosso Pai, Refúgio e Protetor. Agradeço ao JEAME e às orações das igrejas por nós.

Somos Frutos que deram certo. Louvado seja o nome do Senhor!