Testemunho de Marcos

Marcos, o “pivete” que virou missionário

Meu pai era um homem calado e ausente, minha mãe, carente e nervosa.

Os espancamentos que eu sofria quando meu pai voltava para casa eram constantes, isto fez com que eu e minha irmã nos envolvêssemos com as drogas e o crime. Com quatro passagens pela FEBEM, comecei nessa vida com uma pistola roubando relógios Rolex com 13 anos de idade. Logo se seguiram assaltos a bancos de porte pequeno e comecei a fazer parte de gangues. Muitas facadas e brigas com garotos de rua e policiais – só Deus para ter me livrado da morte.

Do poço para a luz

Eu já estava no fundo do poço, o crack estava corroendo minha mente, nem na própria malandragem eu conseguia impor mais respeito.

Acostumado a passar quatro dias trancado num quarto escuro, sem sair, consumindo crack: não é preciso ser médico para notar que eu estava a poucos passos da morte. Dependente terminal, bandido marginal e excluído social, eu já estaria morto hoje se não fosse, numa de minhas passagens pela FEBEM, ter ouvido testemunhos de um pregador que era ex-interno da casa de detenção e dono de uma história de vida única.

Há 13 anos o missionário Virgilio falou dos textos bíblicos: “Se teu pai e tua mãe te abandonaram, o Senhor te acolherá” e “É da vontade de nosso Pai que o só viva em família”.

E mesmo que o pequeno Marcos não desse o devido valor, o amor do missionário e suas palavras não saíram de minha mente.

Enfim, a mudança

Os evangelistas do JEAME começaram a orar por mim, passar tempo comigo, e eu comecei a aprender coisas novas dentro da FEBEM. Quando saí de lá, esqueci de tudo e voltei a me drogar. Até que, numa das vezes, num quarto escuro, tive um encontro com Deus. Era a voz de Jesus na minha cabeça dizendo que me ajudaria. Aconteceu então o que anos de prisões, surras e punições não conseguiram: a minha mudança.

No longo processo de conversão e desintoxicação fui aprendendo a andar ao lado do Pai celeste e estar firme com Ele.

Antes de ir para a FEBEM, passei pelo 23º DP onde sofri muito. Neste ano, 13 anos depois, retornei ao 23º DP com os companheiros do Seminário Teológico da Faculdade Teológica Batista. Lá, realizamos um culto onde pude testemunhar e liberar perdão aos policiais.

Marcos, além de missionário na Fundação C.A.S.A (antiga FEBEM), é casado e pai de dois filhos e é membro na igreja Batista da Água Branca.